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sábado, 16 de fevereiro de 2013

O Deus Das Moscas



Título: O Deus Das Moscas
Autor: William Golding
Editora: Leya (colecção BIS)
Tradução: Manuel Marques
 240 páginas, capa mole

Classificação: **** (4/5)

Um grupo de rapazes encontra-se sozinho numa ilha deserta depois da queda de um avião. Uma ilha com água e comida abundantes, clima agradável e nenhum adulto à vista. Estas seriam as condições ideais para aventuras divertidas em liberdade total, o que não é de todo o caso. 
Se ao início tentam comportar-se civilizadamente, ateando um fogo para que a sua presença seja notada e possam ser salvos e seguindo regras de conduta e dividindo tarefas depressa se vão dividindo e desleixando e começam a cair na selvajaria, caçando desordenadamente e desprezando qualquer sentido de ordem e bom senso. Ao mesmo tempo surge uma ameaça desconhecida que começa a instigar o medo no coração destas crianças.
Este é um livro sobre a natureza humana, e a facilidade com que é corrompida, a civilização e também sobre a perda da inocência. 
As principais personagens são Ralph, eleito líder do grupo no início do livro é uma personagem muito interessante e muito real, mais complexa que o resto dos seus companheiros. Há também que destacar Piggy, o seu fiel companheiro, extremamente inteligente mas não respeitado pelo outros devido ao seu físico. Jack, que quer para si o poder e influencia os rapazes na selvajaria e Simon, sensível e o único que conhece a verdadeira identidade do monstro. 
Esta é uma narrativa repleta de acontecimentos para tão poucas páginas e com personagens que não se esquecem facilmente. A narração na terceira pessoa e apresentando a perspectiva de várias personagens permite-nos ter uma visão mais ampla dos acontecimentos. Gostei bastante das descrições e do simbolismo do livro e da maneira como a atmosfera se vai tornando mais e mais pesada até aos acontecimentos trágicos da história. No entanto achei o final um pouco abrupto, foi-se criando uma tensão imensa que depois se desfaz em meia dúzia de parágrafos. 
Este é uma história aparentemente simples até porque as personagens são crianças mas que levanta questões importantes no campo da sociologia e da psicologia que nos fazem pensar. A facilidade da corrupção da estrutura da civilização quando em circunstâncias de isolamento, a maneira como a consciência individual se dilui em grupo e a facilidade de justificação de actos bárbaros em determinados contextos são alguns temas abordados no livro.
Penso que este livro pode ser apreciado tanto por adultos como pelos mais jovens e recomendo vivamente a sua leitura. 




quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Pela Estrada Fora


Título: Pela Estrada Fora
Autor: Jack Kerouac
Editora: Relógio D'Água
Tradução: Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato
333 páginas, capa mole

Classificação: *** (3/5)

"Mas nessa altura dançavam pelas ruas fora, quais fantoches febris, e eu trotava atrás deles, como toda a vida fiz no encalço das pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas, através das estrelas e, no meio, vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama: "Aaaah!""
Pela Estrada Fora, Jack Kerouac

"Pela Estrada Fora" é considerado por inúmeros especialistas como um dos mais importantes de sempre, devido à sua influência em toda uma geração de jovens, a geração beat nascida nos Estados Unidos da América nas década de 50/60. 
Este é um livro de forte inspiração autobiográfica em que, utilizando uma técnica narrativa própria, que o próprio Jack Kerouac apelidou de prosa espontânea, constituída por enormes blocos de texto, o autor descreve as viagens de Sal Paradise (o próprio Kerouac) e Dean Moriaty pelos Estados Unidos da América e pelo México. 
Viagens frenéticas à boleia, festas, álcool, café, tabaco, drogas, sexo e jazz são a vida e a obsessão do carismático Dean Moriaty que fascina o escritor Sal Paradise levando-o a embarcar em alucinantes jornadas através do país em busca de liberdade e "daquilo", algo que não conseguem definir nem compreender mas que procuram incessantemente. 
Devo dizer que ao contrário de gerações e gerações de pessoas não fiquei inspirada a viajar de mochila ás costas por esta história, a falta de escrúpulos e de consideração de certos personagens desagradaram-me, a repetição dos mesmo acontecimentos mas em locais diferentes e os longos blocos de texto corrido cansaram-me um pouco. No entanto reconheço a beleza da descrição de certos locais e a maneira fiel como descreve a mente desta geração beat na incessante busca de liberdade.
Recomendaria este livro a pessoas de espírito aventureiro fascinadas por viagens sem rota definida. 
Esta obra foi adaptada ao cinema em 2012 pelo realizador Walter Sales.